sábado, março 29, 2008

tudo o que quero dizer
não passa de umas três ou quatro palavras que,
uma vez acertadas,
atingirão o sintetismo do que objetivo.
o inconsciente está para mim como a caotização mais insensata de um conteúdo,
uma indevida expansão do pensamento conciso,
obtido a partir de uma razão imediata que minha sensibilidade provém.
agora, tê-la em mente, basta, esta coisa,
para que se misture num todo e tão logo se multiplique:
olho para esta tentativa de concretizar o conhecimento,
traduzida nesta pilha de livros que ostento ao meu lado
e
considero-me uma farsa do imediatismo cultural,
fachada do intelectualismo selvagem sustentado pelo capital,
iguaria preciosa a formular ignorâncias a serem expostas a terceiros
apludintes, porque também são estes farsa disto tudo de se quer dizer
e não se diz.
dentro deste contexto, sou obrigado a me concluir um incompetente intelectual,
artificializado pelo conhecimento em grande escala,
escravo da utilidade,
vítima dos fins...

sou, em essência, um saco vazio que se sustenta em pé por um vento
de brisa. um poço de nada em largas dimensões.
um esnobe fajuto a exibir minha camada superficial que,
de quando muito se enxuga,
sobram apenas três ou quatro palavras.

domingo, março 23, 2008

Declaração

não tenho mais nada a dizer.




...[por enquanto].

segunda-feira, março 10, 2008

motriz

aguardo instante exato, a hora do manifesto, o microsegundo que precede a reação deste impasse: esta vida que esgota o copo e não transborda. este momento de iminência motora, onde não se questiona que o movimento está-se por fazer e nunca então é começado...porque falta "o algo", "a coisa", em sua forma neutra, "o indizível". e não se declara este, por ser incógnito, por haver se não pouco sentido nesta pseudo-existência: a negação de um fato, visível só de alma. porque a verdade é dolorosa e límpida: ainda que falte força para reagir.